80% dos AVCs são evitáveis, diz médico do HC de Ribeirão Neurologista alerta que o acidente vascular cerebral pode ser combatido com prevenção aos fatores de risco

Neurologista Octávio Pontes neto: ‘doença é 2ª que mais mata’ ( Foto: mastrangelo reino / A Cidade)

Oitenta por cento dos casos de AVC (acidente vascular cerebral) podem ser evitados se os fatores de risco, como hipertensão arterial, colesterol, diabetes, sedentarismo, má alimentação e tabagismo, forem combatidos. A afirmação é do neurologista Octávio Marques Pontes Neto, do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.

“O AVC é a segunda maior causa de morte no Brasil, perdendo apenas para o enfarte do miocárdio. São mais de 100 mil óbitos por ano no País”, destaca o médico.

Para orientar a população sobre a doença, o HC participa, de 26 de outubro a 3 de novembro, da Campanha Nacional de Combate ao Acidente Vascular Cerebral. “Precisamos concientizar a população para tentar reduzir esses números”, diz o neurologista.

O AVC acomete, principalmente, pessoas com mais de 50 anos, e exige atendimento em até 4h30 após o surgimento dos sintomas. “Essa doença é a principal causa de incapacidade funcional no mundo. A chance de a pessoa ficar com sequelas é de 50%, então temos que agir rapidamente”, explica.

Recuperado

O aposentado José Roberto Frade Santiago, 57 anos, pode se considerar um felizardo. Ele faz parte dos 25% dos pacientes que tiveram AVC e que ficam sem sequelas.

No dia 7 de setembro do ano passado, José Roberto sentiu o quarto girando quando se deitou na cama para dormir. Ao tentar levantar, ele perdeu o equilíbrio e começou a vomitar. “Achei que fosse uma crise de labirintite”, conta.Aposentado José RobertoSantiago escapou sem sequeles do AVC que teve no ano passado (Foto: Mastrangelo Reino / A Cidade)

O aposentado foi levado ao hospital, passou por exames e recebeu o diagnóstico de AVC isquêmico, que corresponde a 80% dos casos da doença. Segundo os médicos, o AVC atingiu seu cerebelo, responsável pelo equilíbrio.

José Roberto permaneceu 10 dias internado e chegou a perder parte da visão do olho esquerdo. Além disso, suas cordas vocais do lado direito paralisaram, fazendo com que ele engasgasse muito.

O aposentado foi assistido por um fisioterapeuta e um fonoaudiólogo e, três meses depois do AVC, totalmente recuperado, foi para a Disney, nos Estados Unidos, com a família. “Não precisei nem de andador”, comemora.

Doença mata 6 mi ao ano

O AVC é responsável por 6 milhões de mortes por ano no mundo. A OMS (Organização Mundial de Saúde) estima que, em 2030, 12% dos óbitos sejam decorrentes da doença.

“A cada quatro pessoas acima dos 40 anos, uma vai ter AVC”, afirma o neurologista Octávio Pontes Neto.

Em 2014 foram registrados 521 casos de AVC no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Deste total, 58% correspondem a moradores do município. “No começo do ano que vem, vamos inaugurar a primeira unidade de AVC da região. Ela terá uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais que vão auxiliar os pacientes durante sua recuperação”, conta.

Atualmente só existem 41 unidades de AVC em todo o País.

Após doença, aposentado para de beber

Embora praticasse exercícios físicos, José Roberto tinha pressão alta, um dos fatores de risco do AVC. “Nunca pensamos que vai acontecer com a gente.”

Depois de adoecer, o aposentado desenvolveu uma hipersensibilidade do lado direito, passou a tomar 12 remédios por dia, parou de beber e mudou sua alimentação.

“Eu não queria ficar em uma cadeira de rodas para não depender da minha mulher e das minhas filhas para sempre. Também não queria levar uma das minhas filhas ao altar de bengala.” 

Referência: JORNAL “A CIDADE” Ribeirão Preto - 24/10/2015 – Sábado pág. A 6 - Jornal A Cidade / Micaela Lepera - ( Foto: mastrangelo reino / A Cidade)

 

 

 

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