Pesquisa com participação de um médico de Ribeirão Pre­to e em parceira com profissio­nais de outros países compro­va a eficácia e a segurança do medicamento trombolítico em pacientes que tiveram Aciden­te Vascular Cerebral (AVC).

O estudo constatou que o medi­camento ministrado na quanti­dade 0,6 miligrama por quilo é mais seguro para pacientes que têm chances de ter uma hemor­ragia durante o tratamento.

O neurologista e professor da Faculdade de Medicina da Uni­versidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, Octávio Marques Pontes Neto, juntou-se a pes­quisadores da Austrália, China, Nova Zelândia e Japão. Eles con­seguiram confirmar que a dose de 0,6 mg por quilo em pacientes com AVC isquêmico reduz em até 3% a chance de hemorragia, tornando-se um medicamento seguro no tratamento do AVC.

A coordenação mundial do estudo foi do professor Craig An­derson, do George Institute da Austrália. Os resultados acabam de ser publicados no principal jornal científico na área médica no mundo, o New England Jour­nal of Medicine.

O estudo foi realizado du­rante quatro anos, em 3.300 pacientes em todo o mundo, sendo 330 no Brasil e 30 em Ribeirão Preto. Os pacientes foram divididos em grupos que tomaram a dose convencional de 0,9 miligrama por quilo e a dose experimental de 0,6.

O resultado foi exatamente o esperado pelos pesquisado­res. A dosagem de 0,6 dimi­nuiu os riscos do paciente ter uma hemorragia e consequen­temente levar ao óbito. No en­tanto, a dose convencional se mostrou mais eficaz na redução das sequelas.

De acordo com o neurologis­ta, quando o paciente tem AVC dá para saber se as chances de ter uma hemorragia são maiores e, com esse estudo, o médico vai poder dar a dosagem de 0,6 mi­ligramas sabendo que o risco vai ser mais baixo.

“Tivemos uma redução de 15% dos óbitos. De mil pacientes tratados, tivemos 19 mortes a me­nos, mas em contrapartida tive­mos 40 pacientes a mais com se­quelas motoras ou neurológicas. Essa dosagem se mostrou muito mais segura do que a convencio­nal”, diz Pontes Neto.

Apesar de a pesquisa mos­trar que o número de pacien­tes com sequelas é maior, para o neurologista a pesquisa não conseguiu mostrar que não é inferior. “Vamos continuar usando a dose convencional, mas agora sabemos que existe uma segunda opção mais segu­ra e com eficiência semelhante. Além disso, podemos ampliar o uso do medicamento no país”, conta o neurologista.

Os coordenadores brasilei­ros também são pesquisadores da Rede Nacional de Pesquisa em AVC, e o estudo teve finan­ciamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Mi­nistério da Saúde, e foi conduzido totalmente independente da in­dústria farmacêutica.

Trombolítico – Mesmo es­tando disponível em 100 hospi­tais do Sistema Único de Saúde (SUS), o medicamento trombo­lítico é usado em apenas 1% dos pacientes com AVC no país. Na Diretoria Regional de Saúde (DRS) de Ribeirão Preto o acesso chega a 8% e, especificamente no Hospital das Clínicas – Unidade de Emergência (HC-UE), 35% dos pacientes atendidos recebem a droga. Isso acontece porque o HC-UE tem uma equipe dispo­nível para fazer esse tipo de aten­dimento emergencial.

“A partir do primeiro sinto­ma, o paciente tem até quatro ho­ras e meia para ser medicado com o trombolítico. Passado desse pe­ríodo, não podemos mais dar o remédio. Então precisamos estar preparados para a emergência. No HC, por exemplo, somos avi­sados pelo Samu que um paciente com AVC está chegando. Vamos buscá-lo na porta da ambulância e corremos contra o tempo para atender. Já conseguimos atender e tratar o paciente em 17 minutos, é como se fosse um pit stop de Fór­mula 1”, sorri Pontes Neto.

Segundo o neurologista, o estudo é um avanço importante para pesquisas futuras. “Con­seguimos provar que o Brasil é capaz de realizar estudos interna­cionais sobre o AVC, o tratamen­to é seguro e o risco é baixo igual nos grandes centros mundiais de saúde e tornou-se uma segunda opção para o tratamento”.

Referência: TRIBUNA RIBEIRÃO

http://www.tribunaribeirao.com.br/aplicativo/medicamento-para-avc-reduz-numero-de-mortes/

 

 

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