Hospital das Clínicas usa filmes para aliviar dor em crianças internadas

Técnica de distração é eficaz em procedimentos com agulha, diz psicóloga. USP e faculdade do Canadá desenvolvem protocolo para tratamento infantil.

Submetida a uma aplicação de soro, Vitória dos Santos, de 5 anos, garante que não sentiu nem um pouquinho de dor. Para os especialistas do Hospital das Clínicas da USP, em Ribeirão Preto (SP), a reação é consequência de algumas medidas que estão sendo usadas para entreter e distrair os pequenos pacientes.

As mais comuns são o uso de uma pomada anestésica e a exibição de filmes durante o tratamento. Os procedimentos fazem parte de um protocolo de atendimento lançado pelo hospital em parceria com pesquisadores da Universidade Dalhousie, no Canadá.

Após um ano de estudos, profissionais de diferentes áreas da saúde desenvolveram uma série de mecanismos para prevenir, avaliar e reduzir a intensidade do sofrimento dos pacientes infantis, incluindo recém-nascidos.

"A gente utiliza a técnica da distração durante procedimentos dolorosos. Assim, a criança é motivada, engajada a assistir filmes de humor, que ajudam a reduzir a percepção de dor durante algum procedimento que necessite no hospital", diz a psicóloga Natali Antunes.

Segundo Natali, a distração pode gerar resultados positivos através de materiais simples, como livros e músicas, mas a pesquisa do Hospital das Clínicas tem utilizado filmes, sobretudo com histórias de humor.

Até agora, 40 pacientes infantis foram submetidos a testes e apontaram resultados positivos. Além de tirar o foco de uma determinada aplicação, a técnica estimula a motivação nas crianças, segundo a psicóloga.

"Ela se mostrou eficaz na redução da intensidade da dor durante os procedimentos de agulha, de coleta de sangue, punção de veia. Nós aplicamos escalas específicas de intensidade de dor e observamos o comportamento da criança", explica.

Outra medida desenvolvida pelo grupo de profissionais e que já está sendo testada no Hospital das Clínicas é a aplicação de uma solução de sacarose, que promete reduzir os níveis de dor nas crianças.

Coordenadora do serviço de psicologia pediátrica e professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP), Maria Beatriz Linhares diz que o medicamento manipulado, de uso controlado e com prescrição, é de baixo custo.

"A sacarose é uma proteção para alívio de dor, mas é uma solução adocicada especial, manipulada, não é um simples açúcar daqueles que se tem em casa. É uma condição especial de proteção", explica.

Professor de anestesia da Universidade Dalhousie, o médico Allen Finley afirma que o protocolo e as técnicas são um avanço, uma vez que podem ser aplicados por diferentes departamentos e profissionais dentro do hospital.

"Agora sabemos o bastante para fazer uma grande diferença no cuidado das crianças. Se não tratada, a dor pode mudar a maneira como o cérebro funciona. Então, não precisamos esperar. Não precisamos fazer mais pesquisas para começar hoje a fazer mudanças", diz.

Vídeo relacionado ao assunto nesta edição em "VÍDEOS EM DESTAQUE"

Referência: Do G1 Ribeirão e Franca - g1.globo.com - Foto: Reprodução/EPTV

 

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