Dieta hiperproteica não reduz os efeitos da osteoporose, aponta pesquisa da FMRP-USP

A partir de estudos em ratos da espécie Wistar, pesquisadores concluíram que no máximo o exercício físico impacta  na forma e a dieta melhora a qualidade óssea

A receita para manter a saúde dos ossos, mesmo na menopausa, ainda é equilíbrio alimentar e exercícios físicos. Essa é a conclusão da equipe de pesquisadores da USP de Ribeirão Preto que avaliou os efeitos de dieta rica em proteínas, combinada com uma atividade física de alto impacto. A pesquisa foi feita em ratos da espécie Wistar, mas, segundo os pesquisadores “de aplicabilidade clínica em humanos”.

Os resultados do estudo mostraram que a combinação dieta hiperproteica e exercício de alto impacto não modificou os efeitos da osteoporose. “No máximo o exercício físico impacta na força e a dieta melhora a qualidade óssea”, afirma Roberta Carminati Shimano, recém-doutora pelo Laboratório de Bioengenharia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP em sua tese de doutorado. A alimentação com excesso de proteína, ou seja, a dieta hiperproteica, diz os pesquisadores, foi capaz de otimizar a organização óssea, mas não de torná-lo mais forte.

Os pesquisadores ressaltam que com a população vivendo mais, o conhecimento sobre o impacto da velhice no bem-estar torna-se cada vez mais importante. A mulher, por exemplo, “quando chega na menopausa começa a sofrer com  problemas, como, por exemplo, a perda na densidade mineral óssea, resultado da diminuição do estrogênio, hormônio feminino produzido no ovário”.

O grupo afirma que dietas com alto teor de proteínas vêm ganhando popularidade entre os que querem perder peso e ganhar massa magra. Ao mesmo tempo, estudos têm mostrado que combinar exercícios físicos e dietas traz benefícios na prevenção da osteoporose. Nesse sentido, pesquisas já revelaram os efeitos positivos da dieta hiperproteica na mineralização óssea em mulheres jovens. “Mas, a literatura científica indica que nas mulheres mais velhas as dietas hiperproteicas têm significado perda óssea”.  

Os pesquisadores então verificaram o que acontece quando se associa alimentação com excesso de proteínas e atividade física em ratas ovariectomizadas. “Escolhemos associar exercício físico, pois essa prática regular é amplamente reconhecida na prevenção de doenças do osso”. Nas análises, a equipe encontrou maior densidade mineral nos ossos não acompanhada de aumento de força nos animais sem ovários. 

Exercício de alto impacto é valioso

Os experimentos foram realizados em animais de laboratório submetidos à cirurgia de retirada de ovários, simulando o organismo em fase de menopausa. O salto, atividade de alto impacto, foi escolhida pelos pesquisadores por oferecer resultado “valioso” no aumento da massa óssea.

Pesquisadores colocam que, pela intensidade e sobrecarga, o exercício de alto impacto é capaz de remodelar e otimizar a organização óssea que, através da atividade, “sofrem deformações, impactos ou compressões, gerando uma dureza substancial”. No estudo, confirmou-se os efeitos positivos desse treino em todos os animais, ovariectomizados ou não. Com o resultado, concluiu-se que essa atividade melhorou a organização óssea especialmente no quesito ganho de força, independentemente da deficiência do hormônio estrogênio ou da presença de osteopenia, que é a perda de densidade óssea que pode levar a osteoporose.

Apesar dos bons efeitos sobre as propriedades ósseas, o exercício físico de alto impacto não foi capaz de controlar os efeitos ruins da perda da função ovariana. Da mesma forma, a dieta rica em proteínas promove aumento da densidade mineral óssea, mas pode prejudicar suas microarquitetura e resistência mecânica.

Apesar de serem resultados experimentais, os pesquisadores garantem que, para conter os males que o envelhecimento impõe aos humanos, o melhor mesmo é manter nutrição equilibrada associada com a prática regular de exercícios físicos.

Roberta realizou-se seu doutorado no Laboratório de Bioengenharia da FMRP, com orientação do professor João Paulo Mardegan Issa, do Departamento de Morfologia, Fisiologia e Patologia Básica e coordenador do Laboratório de Pesquisas Morfológicas da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP) da USP, onde as etapas histológicas, imunoistoquímicas e de análise microscópica foram realizadas.

Participaram da pesquisa especialistas da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Portugal. Os resultados foram publicados em artigo pela Scandinavian Journal of Medicine and Science in Sportsem janeiro de 2018.

Referência: Portal de Informações da USP Ribeirão Preto - Por: Thainan Honorato

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