A união dos grupos faz a Unidade de Emergência melhor

A Coordenadoria da Unidade de Emergência do HCFMRP-USP (UE) trabalha, desde 2015, com um modo de gestão compartilhada que se caracteriza pelo envolvimento dos trabalhadores na reorganização de seus processos de trabalho, acreditando que essas mudanças somente são possíveis, em um serviço com as características e a complexidade do nosso Hospital, com a participação e responsabilização de todos os envolvidos.

Este trabalho não é simples e é um grande desafio à gestão por considerar o conjunto de demandas e necessidades numa ética que contemple os interesses da coletividade, as necessidades dos usuários e os desejos dos diversos grupos de trabalhadores da saúde envolvidos. A partir de 2013, na Unidade de Emergência, foram iniciados Grupos de Trabalho e Planejamento (GTP), inicialmente com o CTI Adulto e a Sala de Urgência.

A partir de 2015, com a nova reestruturação administrativa, os GTP passaram a ser utilizados como a principal ferramenta de integração da assistência com a gestão, estando diretamente vinculados ao Coordenador Administrativo da UE. Os grupos de trabalho são instâncias multiprofissionais, participativas, nas quais é utilizado o método da roda. Há presença de profissionais das áreas assistenciais e administrativas que atuam em seu território de abrangência e quando necessário, com participação das áreas, fazem interface em processos de trabalho.

Têm a função de pensar, diagnosticar e planejar o funcionamento do local e suas interfaces. Entre os GTP da Unidade de Emergência estão: o GTP da Sala de Urgência, o GTP do CTI Adulto, o GTP do Bloco Cirúrgico, o GTP do CTI Pediátrico, o GTP de Humanização, o GTP de Educação Permanente, o GTP da Unidade de Queimados, o GTP da Unidade de AVC e o GTP da Psiquiatria. Das demandas dos grupos, podem ser formados subgrupos para casos específicos, como por exemplo, o GT de Traqueostomia, o GT de BIPAPS, GT de sonda nasoenteral.

Pretende-se, desta forma, sempre que possível, construir processos de trabalho de forma multiprofissional. Quando se faz gestão compartilhada, existe a participação de indivíduos com diferentes ideologias, saberes e culturas. Para um funcionamento adequado e efetivo, é necessário que os envolvidos se respeitem enquanto indivíduos e profissionais e que exista uma escuta qualificada das demandas, necessidades e desejos de todos. É um espaço para se pensar e propor ações que melhorem a assistência e os processos de trabalho envolvidos, com responsabilização de todos.

A periodicidade das reuniões na maioria dos GTP é quinzenal, tendo cada grupo um coordenador. A pauta é elaborada não somente a partir de demandas dos componentes do GTP, da Coordenadoria, de trabalhadores dos diversos setores, mas também da Ouvidoria, diretamente de usuários ou da pesquisa de satisfação de usuários. Os GTP são espaços privilegiados onde os princípios norteadores da Política Nacional de Humanização, previstos no Humaniza SUS, estão presentes: a inseparabilidade entre a atenção e a gestão dos processos de produção de saúde (cogestão), a transversalidade com concepções e práticas que permeiam diferentes ações e instâncias, a autonomia e protagonismo dos sujeitos envolvidos, com corresponsabilidade entre gestores e trabalhadores.

UE inicia trabalho com acompanhantes no CTI adulto e UCO

“É bom para minha mãe, porque posso ficar mais tempo do que uma visita comum, assim ela não sente só e para família é bom, porque posso acompanhar o tratamento de perto e avisar diariamente. Também acho ser bom para o hospital, porque, às vezes posso ajudar as enfermeiras nos cuidados com minha mãe”, essa é a opinião de Isabel Cristina Tomé, de Cajuru, que acompanha a mãe internada há 16 dias, na UTI adulto da Unidade de Emergência.

Isabel faz parte do Programa Acompanhantes CTI/UCO, que começou na UCO (Unidade Coronariana) e na CTI adulto (Centro de Terapia Intensiva). Neste programa, foi criada a possibilidade de que pacientes internados nessas áreas possam contar com acompanhantes por 13 horas (das 8h às 21h). Os horários anteriores de visitas das 15h às 16h e das 20h às 21h continuam, mesmo para os pacientes com acompanhantes. “Eu venho todos os dias de Cajuru e volto no final da tarde. Eu não quero que fique sozinha”, afirma.

O Programa começou com a participação do CTI Adulto da UE em um estudo multicêntrico nacional, em julho de 2017. “O CTI adulto foi convidado a participar do projeto visita ampliada junto com o Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre. Ao final do estudo, concluímos que era bom para o paciente, para a família e também para o Hospital. Os funcionários do CTI foram receptivos à nova forma de trabalho e consideraram importante a presença do familiar. A Coordenadoria da UE decidiu transformar o projeto em um programa institucional”, explica Maria Aline Sprioli, enfermeira responsável técnico.

O Programa Acompanhante CTI/UCO define que três familiares podem participar e ir se alterando na condição de acompanhante. Porém, uma regra precisa ser cumprida: os familiares devem passar antes por uma aula para aprender sobre seus direitos e deveres, sobre as regras internas de funcionamento, noções básicas de CCIH e o comportamento que precisam ter dentro da Instituição. “É um programa importante para o Hospital, porque passamos a conhecer melhor o paciente e a própria família. Não é um programa fácil, porque a equipe passa também a dar atenção ao visitante, mas estamos conseguindo avançar cada dia mais”, explica Maria Aline.

Para a enfermeira e encarregada da Unidade Coronariana (UCO) Michelle Sandrin dos Santos “com o programa o paciente fica mais tranquilo, adere mais ao tratamento e reduz a ansiedade”. Além disso, completa, “quando necessário, o acompanhante também pode ajudar a enfermagem no atendimento ao familiar internado”, explica. “O programa vale a pena e tem produzido bons resultados”, finaliza.

Referência: Por: José Paulo Pintya - Diretor de Atenção à Saúde – Unidade de Emergência

 

 

 

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Editor: Benedito Carlos Maciel
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