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Fisioterapia se reinventa para tratar pacientes na pandemia

Isolamento social pela covid-19 suspendeu tratamentos e pode comprometer evolução conquistada pelos pacientes.

A pandemia do novo coronavírus provocou a suspensão dos atendimentos presenciais de fisioterapia. Com isso, muitos pacientes precisaram interromper as atividades, o que pode trazer prejuízos à evolução conquistada durante o tratamento.

A professora Ada Clarice Gastaldi, especialista em fisioterapia na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, explicou que as equipes do Hospital das Clínicas da FMRP estão estudando os pacientes que podem ser mais prejudicados durante esse período “para que tenham prioridade quando as sessões presenciais retornarem”.

Apesar de reconhecer os prejuízos ao tratamento dos pacientes, Ada reforça que muitos deles fazem parte do grupo de risco da doença e que o momento é de priorizar a saúde de cada um. “Como muitos pacientes da fisioterapia já apresentam fatores de risco para a covid-19, como diabetes, hipertensão, doença respiratória crônica e idade avançada, é necessário pensar no risco que a circulação desses pacientes pode representar para sua própria vida.”

A professora ressalta que os pacientes precisam tomar ainda mais cuidado durante este período. Além de já pertencerem ao grupo de risco, o isolamento social pode acrescentar mais fatores de risco para eles. “O sedentarismo, a falta de atividade física e a obesidade podem se acentuar durante a pandemia e são um risco não só para a covid-19, mas para outras doenças respiratórias e cardiovasculares também.”

Ela ressalta a importância de seguir orientações de prevenção, não só relacionadas aos hábitos de higiene e contato, que são extremamente importantes, mas também manter-se ativo e seguir recomendações de exercícios ou outras atividades desenvolvidas. “Isso pode colaborar para diminuir o risco da doença e melhorar o bem-estar físico e emocional,” garante.

Mesmo com as sessões interrompidas, a professora destaca que “os pacientes sempre são estimulados a fazer atividades em casa, independente do trabalho do fisioterapeuta”. Além disso, os profissionais distribuem cartilhas com exercícios, “como uma complementação ao tratamento presencial”.

Por outro lado, a fisioterapia também precisou se adaptar à nova fase que o mundo está vivendo. Ada explica que “logo depois que a Organização Mundial da Saúde decretou a pandemia, o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, o Cofito, estabeleceu novas medidas, para levar atendimento de fisioterapia e terapia ocupacional à população”.

Com essa nova resolução, o Cofito autorizou os serviços on-line, chamados de teleconsulta, que é o atendimento clínico registrado e feito a distância; telemonitoramento, que é o acompanhamento a distância do paciente atendido, previamente, de forma presencial; e teleconsultoria, que consiste na comunicação registrada e realizada entre profissionais da área de saúde.

Ouça a entrevista da professora Ada Clarice Gastaldi abaixo:

Referência: Jornal da USP – Por: Robert Siqueira – Foto: Aldineiderios / Pixabay