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Mesmo sem epidemia, Ribeirão Preto está em alerta para dengue tipo 2, diz professor da USP

Especialista explica que, após última epidemia, parte da população foi imunizada ao vírus tipo 1. Prefeitura confirma 52 casos da doença e intensifica ações contra o mosquito Aedes aegypti.

Professor do Centro de Pesquisa em Virologia da USP, Benedito Antônio Lopes da Fonseca diz que Ribeirão Preto (SP) está em alerta para a dengue tipo 2, que é mais agressiva. Dados da Secretaria Municipal da Saúde apontam 52 casos confirmados de dengue em janeiro – um terço deles é do tipo 2.

Fonseca explica que grande parte da população foi infectada pelo vírus tipo 1 durante a última epidemia de dengue, em 2016. O número de casos naquela época chegou a 35 mil. Isso significa que esses pacientes estão imunizados a esse sorotipo da doença.

“Quem teve a dengue do tipo 1 nunca mais vai ter a dengue do tipo 1. Mas, pode ter a do tipo 2, a do tipo 3 e a do tipo 4. Nós tivemos em Ribeirão a experiência de ter infecções pelos quatro tipos de vírus. Então, de alguma maneira, esses vírus estão aí”, afirma.

Dessa forma, segundo o virologista, o risco de os moradores serem infectados por sorotipos mais agressivos é maior. Por isso, o combate ao mosquito Aedes aegypti, que transmite a dengue, o vírus da Zika, a Chikungunya e a febre amarela também tem que ser mais eficaz.

“A prevenção é a chave do controle, porque a gente tem uma vacina que tem muitos problemas ainda em termos de ser distribuída para a população. Então, o controle, a vigilância, tanto da cidade, como a nossa própria vigilância, como cidadãos, tem que ser feita”, diz.

Em coletiva nessa segunda-feira (28), o secretário municipal da Saúde, Sandro Scarpelini, afirmou que os ações contra a dengue serão intensificados, inclusive aos finais de semana, para evitar uma epidemia da doença, já que cidades vizinhas estão em alerta.

Em São Joaquim da Barra (SP), por exemplo, três mortes foram confirmadas por suspeita de dengue hemorrágica e outros 101 casos já estão confirmados. Franca (SP) e Barretos (SP) também apresentam índices elevados de casos suspeitos.

“Não chegamos ao pico da doença. A experiência prévia dos anos passados, é que a dengue começa devagar em dezembro, janeiro e em março, abril, tem o seu pico. Então, pode ser que daqui há um ou dois meses, a gente tenha um número de casos maiores”, alerta o professor.

Referência: Por G1 Ribeirão Preto e Franca – Foto: Jéssica Alves/G1/Arquivo