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Novas tecnologias podem equacionar o atendimento de pacientes com AVC

Recentemente, o Brasil passou a contar com a trombectomia mecânica para tratar pacientes com AVC, mas o uso de novas tecnologias e ambulâncias mais bem equipadas podem equacionar esse atendimento no País.

O acidente vascular cerebral (AVC) é um emergência médica que em 85% dos casos é causado pelo entupimento de uma artéria que leva sangue para o cérebro. Nesse caso, é importante que o paciente seja rapidamente encaminhado para um hospital adequado para que seja feito um procedimento chamado terapia de reperfusão, que tem o objetivo de desentupir essa artéria. E esse atendimento de urgência, que deve ser feito a partir de um protocolo institucional funcionando em rede, é o tema da coluna Minuto do Cérebro desta semana.

O professor Octávio Pontes Neto lembra que, por mais de uma década, a única estratégia para tratar o paciente com AVC era a administração endovenosa de trombolíticos nas primeiras horas da ocorrência, para tentar desentupir a artéria. Entretanto, diz o professor, mais recentemente já foi disponibilizada no Brasil a trombectomia mecânica, procedimento por via endovascular que, através de uma artéria da virilha, leva um cateter até a artéria entupida no cérebro para desobstruí-la. “Enquanto a trombólise endovenosa tinha que ser feita até quatro horas do início dos sintomas, a trombectomia mecânica pode estender essa janela para até 24 horas do início dos sintomas, o que resulta no aumento de pacientes que podem receber esse tratamento.”

Em contrapartida, o professor diz que aumentou a complexidade do sistema de triagem pré-hospitalar. Assim, hoje em dia é importante que esse sistema (ambulâncias do Samu ou da rede privada) tenha condições de direcionar rapidamente o paciente com AVC para o hospital adequado. “Os pacientes com AVC precisam ir para um hospital que tenha tomografia e um protocolo de atendimento para o AVC. Esse direcionamento também deve ser feito através de um protocolo institucional em rede, para não levar a uma superlotação ou utilização desnecessária de recursos de saúde para pacientes que não tenham indicação de terapia de reperfusão.”

Para o professor, essa triagem pré-hospitalar para o atendimento do paciente com AVC pode ser muito potencializada e otimizada com a utilização de novas tecnologias, como a telemedicina, ou ambulâncias mais capacitadas, como nos Estados Unidos, que já têm ambulâncias com tomografia. Além da utilização dessas tecnologias, Pontes Neto cita também a utilização de escalas de triagem pré-hospitalares, que identificam mais rapidamente o paciente que tem oclusão de um grande vaso do cérebro e é candidato a uma trombectomia mecânica, como uma das soluções para a resolução da equação da rede de atendimento ao AVC no Brasil.

Ouça no player a entrevista na íntegra.

Referência: Jornal da USP