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Novembro: Mês da Prematuridade

O Dia Mundial da Prematuridade foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para chamar a atenção para um problema que atinge 15 milhões de crianças todos os anos ao redor do mundo.
Segundo o Ministério da Saúde: “No Brasil, aproximadamente 10% dos bebês nascem antes do tempo (prematuros). Mas o avanço da medicina tem possibilitado que a grande maioria consiga se desenvolver e crescer com saúde. São considerados prematuros, os bebês que vem ao mundo antes de completar 37 semanas de gestação.”

Prematuros: Quem somos?
*Dra Ana Beatriz Gonçalves – Médica Neonatologista do HC Criança

Então, nascemos antes do tempo, necessitamos nos desenvolver após o nascimento. Precisamos de cuidados especiais: UTI Neonatal, Unidade de Cuidados Intermediários, Alojamento Conjunto. Somos cuidados por muitos profissionais para que tenhamos um bom desenvolvimento: neonatologistas, enfermagem neonatal, fisioterapeutas, fonoaudiólogas, terapeutas ocupacionais, psicólogas, neurologistas, oftalmologistas, às vezes cirurgiões pediátricos, pneumologistas pediátricos e nutricionistas.
Às vezes ficamos por longos períodos nestas unidades, mas recebemos além dos cuidados, muito carinho e atenção da equipe e de nossos pais.
Ao nascermos proporcionamos uma experiência única a nossos pais, conforme relato a seguir.

Pais de prematuros: aprendizes das lindas e sábias criaturas batalhadoras pela vida.
*Alexandre Fenato e Priscila Fenato- pais dos quadrigêmeos Arthur, Heitor, Benício e Alice

Nossa experiência foi muito intensa, sabíamos que as crianças seriam prematuras desde a oitava semana de gestação, quando descobrimos que se tratava de gestação quadrigemelar. Recém-nascidos prematuros são menores e necessitam de atendimentos intensivos e específicos desde algumas horas antes do parto. Eles são verdadeiros guerreiros pela vida.

A cada semana de gestação conquistávamos uma vitória. Sempre com acompanhamento pré-natal rigoroso, iniciávamos uma nova semana de batalha pela vida, com bastante fé e dedicação.

Exatamente na 31º semana de gestação, as contrações tornaram-se rítmicas e dolorosas até que no dia seguinte, o doutor Ricardo Cavalli, após avaliação clínica, optou por “resolver” a gestação. Às 13:53 do dia 19 de outubro de 2019 nasceu o Benício, às 13:54 o Arthur, às 13:55h o Heitor e às 13:56 a caçulinha Alice. O parto foi uma mistura de sensações indescritíveis. Houve muito medo, alegria, desespero e esperança. Foi incrível! As crianças foram preparadas para o mundo. Filmamos tudo: o corte da cesárea, retirada dos bebês, cortes dos cordões umbilicais até o encaminhamento dos recém-nascidos à UTI neonatal.

Na UTI as crianças são monitoradas e cuidadas 24 horas por dia. Visitávamos elas várias vezes ao dia. A sensação de ver seus filhos numa incubadora, com auxílios respiratórios, sondas e monitores eletrônicos traz sentimentos intensos de medo e incapacidade.

Contudo, queríamos vê-los em nossos braços, sob nossa proteção. Do modo em que se encontravam, nem pareciam nossos filhos. Após alguns dias na UTI, conforme os auxílios respiratórios eram retirados as crianças foram, uma a uma, encaminhadas para a UCIN (Unidade de Cuidados Intermediários neonatal). Sabíamos que a saída da UTI e entrada na UCIN era consequência de melhora significativa das condições respiratórias e condições de boas de estabilidade vital da criança. Esta transição trazia sentimentos de vitória e muita alegria. Contudo, como ocorria com uma criança de cada vez, somente com a saída da última criança, conseguiríamos ficar plenamente contentes.

Do mesmo modo que a saída da UTI, a liberação da UCIN para o quarto também foi momento muito esperado e concluído apenas com a chegada do Arthur, o último a vir para o quarto. O Arthur teve, durante sua estadia na UCIN, dois retrocessos (retorno à UTI), devido a instabilidades respiratórias consequentes de uma infecção, que foi descoberta precocemente e tratada de modo eficaz. Foram momentos de bastante aflição e orações.

No quarto, ainda com sondas e monitoração de frequência cardíaca e de saturação de oxigênio, iniciamos a rotina de trocas de fraldas e alimentação das crianças, com intervalos inadiáveis de 3 horas, sempre sob orientação da incansável doutora Ana Beatriz (pediatra). Esta fase está sendo extremamente bacana, e apesar do esgotamento físico e mental, nos sentimos pais de verdade, responsáveis pela sobrevivência e bem-estar das crianças.

Crianças prematuras vêm ao mundo antes da hora biológica adequada e lutam pela vida continuamente, superando todos os limites e adaptações necessárias à sobrevivência. Ao mesmo tempo que trazem desespero, nos enchem de orgulho e esperança. A trajetória de um prematuro, desde seu nascimento até a alta hospitalar, é um exemplo de dedicação e luta pela vida de equipes médicas e cuidadores (técnicos e enfermeiros), dos pais e principalmente do próprio recém-nascido. É impressionante, pais de prematuros são aprendizes diante de lindas e sábias criaturas batalhadoras pela vida.

HCFMRP: Referência em prematuridade

A história da neonatologia no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto se confunde com a história dos professores Arthur Gonçalves e Salim Jorge.  Desde o início da década de 50, quando o Departamento de Puericultura e Pediatria da FMRP-USP foi criado, eles trabalham incansavelmente pela atenção integral à criança  e o envolvimento direto dos pais no cuidado com os filhos.

                               

Hoje, o Hospital das Clínicas é referência em neonatologia e conta com uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (20 leitos), Unidade de Cuidados Intermediários Neonatais (28 leitos) e Alojamento conjunto (20 leitos).
O serviço de neonatologia conta ainda com sete ambulatórios que realizam o seguimento dos pacientes até a resolução das enfermidades ou até os 7 anos de idade e também com o Banco de Leite Humano que incentiva e apoia o aleitamento materno.

A equipe médica é formada por cinco docentes da Faculdade de Medicina e vinte e dois médicos assistentes. Os residentes estagiam o ano todo nas unidades neonatais, com uma equipe composta por seis residentes do 4º ano e seis residentes de 3º ano. Os residentes de 2º ano e 1º ano também participam de atividades nas unidades neonatais.