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Queimaduras crescem durante pandemia

Professor Jayme Farina Jr, coordenador da Unidade de Queimados, alerta sobre queimaduras devido ao uso de álcool 70%, mais concentrado, usado para higienização de mãos

O álcool é um importante aliado contra o coronavírus. Porém, seu uso tem despertado uma outra preocupação: o aumento de ocorrências de queimaduras.

Desde o dia 19 de março, quando uma portaria da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) flexibilizou a comercialização de álcool mais concentrado, o número de queimaduras vem aumentando.

Na Unidade de Queimados, houve aumento de 2 a 3 vezes nos acidentes de queimadura por combustão de álcool. A Sociedade Brasileira de Queimaduras-SBQ já contabilizou mais de 100 casos de queimaduras por álcool no país após esta resolução.

O coordenador da Unidade de Queimados, professor Jayme Farina Junior, alerta para a população tomar cuidado com acidentes provocados pelo álcool mais concentrado. “Esses tipos de queimadura estão entre as mais graves devido à chama, que geralmente causa lesões profundas e extensas. A chama após a combustão do álcool gel é praticamente invisível e a pessoa só percebe quando a queimadura já está ocorrendo”, explica. “Se ela se debater, o que é uma reação comum, o álcool gel pode espirrar para outras áreas do corpo agravando a queimadura”, completa.

Ele esclarece que “as explosões podem ocorrer quando a pessoa passa álcool gel na mão e em seguida vai para o fogão cozinhar ou acende cigarro, acende a churrasqueira com álcool de maior concentração, quando se deixam recipientes de álcool perto do fogão ou ainda durante a fabricação irregular de álcool gel”.

O professor Farina conta que “houve um caso recente de atendimento na Unidade de Emergência do HC de um trabalhador que estava produzindo álcool gel por meio de uma ‘furadeira elétrica’ utilizada para misturar o álcool líquido 70% com o produto espessante. A furadeira liberou faísca que causou o acidente com queimaduras nos membros superiores e face”.

O coordenador da Unidade de Queimados do HC esclarece que “a venda de álcool em concentrações maiores para uso doméstico sempre foi um problema sério no nosso país em relação às queimaduras e esperamos que a Anvisa volte a proibir sua venda assim que esta pandemia do coronavírus passar”.

O especialista reforça que a higienização das mãos com água e sabão é tão eficiente quanto a utilização do álcool 70%.  “Em casa, o mais importante é a lavagem das mãos com água e sabão para higienização e combate ao coronavírus.

Deixar para utilizar o álcool gel somente na impossibilidade de lavagem das mãos”,  argumenta. Ele reforça que a população precisa ficar alerta, “queimaduras causam sequelas permanentes para a vida da pessoa e da família”, conclui.

Referência: Assessoria de Comunicação HCFMRP-USP – Por: Patrícia Cainelli
Validação Prof. Dr Jayme Farina Junior