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USP cria simulador de aplicação de insulina de baixo custo

Boneco, cartilha e vídeos devem ajudar dia a dia de pacientes com diabetes que utilizam insulina

Receber diagnóstico de diabetes e conviver com a doença não é tarefa simples. Para além do controle alimentar, alguns diabéticos têm ainda que se acostumar às picadas diárias de injeções de insulina. É nesse momento que entram em cena os simuladores de aplicação de insulina, desenvolvidos para os pacientes se capacitarem para as aplicações e, de quebra, aprenderem mais sobre o diabetes.

Parece até “‘brincadeira de bonecas”, mas especialistas garantem que os simuladores são importantes. Apesar de ser um excelente recurso, o seu uso ainda não é disseminado entre os pacientes, pois o custo dos simuladores existentes no mercado ainda é alto. Atualmente os simuladores são mais utilizados dentro das próprias universidades para capacitar os estudantes. Problema que pesquisadores da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP prometem resolver com um protótipo de preço muito menor, acompanhado por cartilha e vídeo educativo.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), após o diagnóstico e a indicação do uso da insulina, o profissional de saúde deve explicar e demonstrar a aplicação da insulina ao paciente que, por sua vez, deve repetir o que foi demonstrado para que seja possível avaliar o aprendizado. Nesse sentido, o uso de simuladores “permite essa prática, tanto pelo profissionais, quanto pelos pacientes em ambiente seguro e de maneira adequada”, comenta a pesquisadora da EERP e responsável pelo projeto Janaina Pereira da Silva.

O simulador de baixo custo, desenvolvido pela equipe da EERP com o apoio da Oficina de Precisão do Campus USP em Ribeirão Preto, pode atender à demanda crescente no Brasil. Informações do Ministério da Saúde apontam que entre 2006 e 2016 o diagnóstico de diabetes cresceu cerca de 61,8% entre a população, reforçando a necessidade de capacitação de pacientes e cuidadores para a aplicação de insulina.

Conta Janaina que, com a escassez de recursos para a saúde, “muitas vezes as equipes não dispõem de ferramentas para auxiliar os pacientes e os cuidadores no aprendizado do uso da insulina, o que reforça a importância de um simulador de aplicação mais acessível”. Hoje, um simulador para auto aplicação de insulina custa em média R$4.752,00, enquanto o modelo criado pela pesquisadora ficou em cerca de R$339,50, valor quase 15 vezes menor que o disponível no mercado.

Criado a partir de um manequim tamanho adulto (utilizado para exposição de roupas em vitrines), o protótipo da USP apresenta estrutura fixada a regiões específicas, uma associação de espuma laminada e uma espécie de pele desenvolvida com silicone. Essas regiões, com a estrutura que mimetiza tecido da pele, representam os locais do corpo nos quais a aplicação de insulina é recomendada (abdômen, coxas, braços e nádegas – veja imagens). Janaina explica que, caso “a insulina seja aplicada fora desses locais”, o paciente pode sofrer lesões, além da insulina não ser absorvida adequadamente.

Testado na prática por especialistas (professores e profissionais da área de saúde), o simulador ofereceu mais que aprendizado da técnica de aplicação das injeções de insulina, fornecendo informações importantes sobre a doença aos pacientes, garante Janaina. Mas, a equipe da EERP decidiu adicionar ao projeto a cartilha “Aplicação de insulina passo-a-passo” e vídeos explicativos. Essas ferramentas “complementam a prática educativa, tanto dos profissionais quanto dos pacientes, e servem como suporte para consultas e esclarecimento de dúvidas”, acrescenta a pesquisadora.

As ferramentas que prometem facilitar a vida dos diabéticos foram desenvolvidas durante o mestrado “Construção, validação e avaliação de diferentes métodos educativos em diabetes mellitus para aplicação de insulina: simulador de paciente de baixo custo, vídeo e cartilha” apresentado por Janaina à EERP com orientação da professora Alessandra Mazzo.

Diabetes

Existem dois tipos mais conhecidos de diabetes. A Tipo 1, que geralmente é diagnosticada em crianças, adolescentes e adultos jovens, é resultado da destruição das células produtoras de insulina, por um processo autoimune. O tratamento desse tipo é sempre com insulina, associado à atividade física e alimentação balanceada.

Já no Tipo 2, o diagnóstico é mais comum entre adultos e ocorre quando o organismo não consegue utilizar adequadamente a insulina produzida. O controle da doença pode ser feito com medicamentos, alimentação balanceada e atividade física, mas em alguns casos também exige aplicação diária de insulina.

Além dessas, existe também a diabetes gestacional que é diagnosticada durante a gravidez. O controle da diabetes gestacional é feito, na maioria dos casos, com orientação nutricional, mas em alguns, o uso da insulina também é necessário.

Referência: Portal de Informações da USP Ribeirão Preto – Por Joice Soares